segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Gigante pela própria natureza!



Por Flávio Feltrin
As eleições terminaram e o País escolheu o seu destino! Por opção minha decidi esperar este momento para compartilhar no blog minhas impressões e reflexões sobre a campanha eleitoral e peço aos leitores que, ao lerem, também façam um paralelo de tudo que está escrito aqui com a sua empresa, sua cidade, seu departamento e porque não, sua vida!
Eu votaria no candidato que viesse a público e afirmasse que não tem um plano de governo! Porém, que se comprometesse a desenvolver um projeto, um plano diretor, uma visão estratégica para o Brasil. Um candidato que falasse de um projeto de 25 anos, que pensasse no país que queremos ter em 4, 8, 12, 16, 20 e 25 anos, independente do governante.
Votaria em um candidato que, para construir o plano para o Brasil, integrasse os mais diversos seguimentos da sociedade, que pensasse de forma abrangente e sustentável. Um candidato que tivesse clareza dos eixos estratégicos importantes para a nação e desenvolvesse estratégias e projetos que pudessem efetivamente construir um país melhor, mais livre, mais desenvolvido, mais justo e que pudesse produzir cidadãos cada vez melhores, afinal, somente assim pode-se construir um futuro melhor: condições sociais favoráveis e gente orgulhosa do país onde mora, motivada a produzir cada vez mais e a receber a merecida contrapartida para que tenha uma vida digna e possa desenvolver-se como ser humano.
Imagine se a população brasileira abraçasse este plano como abraçamos a seleção brasileira em época de copa do mundo. Como abraçamos as causas sociais quando as desgraças e acidentes acontecem em algum canto do país ou até em outros países. Imagine se esse plano mobilizasse a nação como nos mobilizamos em grandes campanhas sociais. Gigante pela própria natureza sim, mas um gigante sem rumo, sem direção!
É lamentável assistir uma campanha onde bolinhas de papel ou sacos de água têm maior importância do que temas tão importantes, revela apenas o vazio das propostas, a falta de plano. Já que abstrair o conceito de País e pensar em desenvolvimento e equilíbrio planetário sustentável é ainda utopia, achei que ao menos poderíamos pensar como nação, envolvidos por um grande líder e imersos em uma sociedade madura, livre e que coloca os interesses do País a frente dos interesses partidários e porque não dizer pessoais.
De ilusão e desilusão, vamos cambaleando como um gigante bêbado, sem rumo nem prumo. Nunca na história deste país, parodiando o presidente, pensou-se em obras de infra estrutura integradas, o famigerado PAC. Tamanha minha surpresa quando o próprio partido do presidente acusa o adversário de fazer promessas que já constam do PAC! No meu sonho de um país melhor eu ficaria orgulhoso de ver meu adversário falando que vai executar os projetos que eu idealizei, mas não, acusa-se o outro de não fazer nada mais do que já está sendo proposto, e eu que achei que isso era bom!
É realmente difícil entender esta lógica, a lógica dos projetos bons desde que eu e a minha turma os execute, a lógica de continuar sem promover mudanças estruturais importantes mas criticar quem se propõe a continuar. Para entender esta lógica talvez seja necessário reduzir-se muito, ver o país apenas pelos olhos de uma pessoa ou de um partido, enxergar a política como escambo onde a troca de favores é o jeito certo. Prefiro continuar sem entender esta lógica, prefiro olhar o país pelos olhos de uma nação, reconhecer nas idéias diferentes as idéias de brasileiros e irmãos de pátria e entender a política como o antídoto capaz de levantar este gigante e dar-lhe rumo, força e confiança! Será possível?

Flávio Feltrin é sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico, coach, consultor e facilitador de constelações organizacionais.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ciclos



Nossa vida é regida por ciclos! Até as coisas que parecem ser eternas não existirão no futuro tal como as conhecemos hoje e não existiam no passado.

Vivemos vários ciclos simultâneos em nossas vidas e podemos citar alguns como o ciclo pessoal, profissional, conjugal. Normalmente não os observamos e não nos damos conta sobre onde estamos em cada um desses ciclos.

Não é possível determinar a duração de cada ciclo mas podemos dividi-los em momentos diferentes: O inicio ou atualização, a plenitude ou função e o término ou escalaridade.

O padrão mental, pensamentos e sentimentos que lhe ocupam no inicio de um ciclo podem ter grande influência no desdobramento de todo o ciclo. O melhor momento para reformular e inovar é a plenitude ou função. Se você não inovou, na escalaridade corre o risco de ficar “patinando” ou explodir! Quantas pessoas insatisfeitas nós conhecemos e que não fazem nada para mudar?

Alguns ciclos são determinados tais como o dia, o mês, o mandato, o ano de aniversário, e pequenos eventos de nosso dia a dia que começam, atingem sua plenitude e terminam. O fato é que a renovação, a morte, o renascimento, a transformação, a evolução, a reformulação, são fenômenos naturais, que acontecem todos os dias ao nosso redor mas quase sempre estamos muito distraídos para perceber.

Acabamos de sair de um longo período de seca e agora com alguns dias de chuva a paisagem já se renova, o verde volta, as flores se abrem, os galhos secos são derrubados pelos ventos que acompanham a chuva. Gente nasce e morre, chegam e vão, começam e terminam. A dança da vida continua silenciosa sob nossos olhos: emprego, carreira, casamento, carro, casa, namoro, presidente, animal de estimação, amizades, tudo começa, se renova ou acaba!

A vida é movimento e não há espaço para coisas estáticas, que não evolui, que não se transforma, não se reformula. Mudanças e transformações são movimentos naturais, não tente evitá-los, eles simplesmente acontecerão, seja por sua vontade ou pela ordem natural das coisas.

Os ciclos são presentes que recebemos, podemos simplesmente ignorá-los e deixar a vida acontecer, como um balão que flutua pelos céus de acordo com a direção dos ventos até estourar ou, podemos estar atentos aos ciclos que vivemos e desta forma promover as mudanças necessárias, as reformulações, as inovações.

Se você pensa que alguma área de sua vida está parada, sem movimento, precisando se inovar, reinventar ou reformular, promova você esta mudança ou a mudança simplesmente acontecerá no tempo e da forma que você pode não gostar e ser surpreendido. Ao saber que algo precisa ser mudado ou renovado e você não mudar, você está decidindo por ficar estático, decisão que lhe é conferida por direito porém contrária ao movimento natural da vida.

O que a vida lhe pede hoje?
Qual é o seu momento?
O que você mudaria em sua vida hoje?

Pegue toda a bagagem útil que você já tem, jogue fora as coisas desnecessárias, impulsione-se e salte, salte em direção ao seu novo ciclo, repleto de possibilidades!

Flávio Feltrin é sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico, coach, consultor e facilitador de constelações organizacionais.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O clima ruim derrubou o líder!



O pensamento sistêmico aplicado às organizações é uma abordagem inovadora, prática e ao mesmo tempo uma forma profundamente humana de olhar para as organizações. Através de técnicas que podem ser utilizadas em grupos ou individualmente é possível obter-se respostas para dinâmicas que ocorrem nas empresas mas nem sempre são facilmente percebidas pois ocorrem no nível sutil e através de processos inconscientes.

As constelações são técnicas utilizadas para extrair do inconsciente da empresa ou do indivíduo estas dinâmicas que por vezes geram conflitos, paralisia, falta de cooperação, estagnação, desânimo, desmotivação e tantas outras conseqüências organizacionais. Através das constelações esta realidade até então sutil torna-se visível e consciente possibilitando, através desta visualização, eventuais mudanças no sistema que permitam o seu desenvolvimento.

As dinâmicas nos sistemas são geradas pelo próprio sistema que tende a repetir seus padrões em busca do equilíbrio sistêmico. Estas dinâmicas foram geradas pela predisposição mental dos integrantes do sistema e influenciam a dinâmica mental daqueles que participam no sistema determinando a qualidade de relacionamento de interdependência entre estes elementos. Daí a importância de se trabalhar a liderança dos sistemas e eventualmente promover mudanças no próprio sistema para que a organização possa desenvolver-se de forma plena e contínua.

Um bom exemplo da aplicabilidade destes conceitos (e temos dezenas de exemplos todos os dias nos jornais), é a demissão de um dos mais consagrados e respeitados técnicos de futebol do Brasil do seu clube. Uma matéria do caderno de esportes da Folha de São Paulo, assinada por Martín Fernandez, cita fatos, passagens e posições que deixam muito claro como a demissão do técnico foi construída.

Eu não usaria o tema futebol aqui no blog se a matéria não fosse incrivelmente didática para explicitar a aplicabilidade do tema pensamento sistêmico nas organizações. Cito abaixo alguns trechos da reportagem comentando-os para melhor esclarecimento. A matéria em sua íntegra pode ser lida no caderno de esportes da Folha de São Paulo, sábado, 25/09/2010.

O título muito sugestivo é: "Clima ruim derrubou Luxemburgo. Técnico, demitido anteontem, vivia conflito com elenco do Atlético-MG."

Alguns trechos interessantes:

- Não foram apenas os maus resultados que derrubaram Vanderlei Luxemburgo no Atlético-MG. O técnico caiu porque também perdeu o controle sobre os atletas.

Podemos entender o termo perder o controle como sinônimo de perder o respeito, a liderança. Observamos também que maus resultados somados a incapacidade de liderança para reversão da situação, é que determinaram o desfecho da história. Nunca saberemos o que aconteceu primeiro, se a falta de liderança gerou os maus resultados ou se a liderança foi perdida em função dos maus resultados, mas o título é um tanto esclarecedor, o clima ruim (resultados+falta de liderança) determinou o desfecho.

- As declarações do treinador irritaram os jogadores mais experientes do elenco, mesmo aqueles que ele havia indicado para o clube. A avaliação geral era de que o treinador capitalizava sozinho as vitórias e atribuía as derrotas aos jogadores.

Aqui percebemos uma dinâmica muito comum nas organizações. Quando as coisas não vão bem e o líder não busca dentro de si a resposta, assumindo a responsabilidade pela situação e mudando o que precisa ser mudado para revertê-la, colocando todo o peso dos resultados no "eixo dos outros" e ainda vangloriando-se quando algo de bom, mesmo que pontualmente ocorra, a resposta natural do grupo poderá ser: OK, você é muito bom então faça sozinho!

- O ambiente ficou pior no clube depois que o presidente incentivou a torcida a "dar um cacete" em jogadores que estivessem na noite de BH. Para se protegerem, os jogadores pediram para ficarem concentrados no CT do clube e o pedido partiu dos líderes do time para marcarem posição contra o técnico. Em resposta, um dos líderes foi colocado imediatamente na reserva, atitude esta que gerou na equipe um sentimento de punição ao jogador.

É indiscutível que o título mencionando o clima ruim foi muito feliz! Mas aqui verificamos que o objetivo do time, que deveria ser disputar os jogos e vencer, somar pontos e melhorar sua classificação foi simplesmente deixado de lado por todos que fazem parte daquele sistema, do presidente aos jogadores e provavelmente comissão técnica, roupeiros, cuidadores do gramado também, porque clima contagia! Quando os objetivos maiores do sistema são substituídos por disputas individuais, jogos de poder, ostentação dos egos e tudo mais sem importância para o sistema, todo o sistema se enfraquece e os resultados pioram, nesse caso, poderá levar mais de um ano para recuperar a situação anterior, caso o clube seja rebaixado.

- O assessor de imprensa de Vanderlei Luxemburgo, negou que o treinador tenha enfrentado problemas com os jogadores. "Simplesmente não funcionou. Não tem explicação. O relacionamento dele com todo mundo era ótimo lá".

O óbvio é bem difícil de ver. Talvez seja essa a melhor explicação para aquilo que o assessor afirma não ter explicação. As dinâmicas que ocorreram nesta situação determinaram o clima do sistema (que não se vê, mas sente-se), e o clima, como diz o título, derrubou o técnico!

- Havia ainda o racha entre o grupo de jogadores que estava no clube desde o ano passado e os que chegaram recentemente.

Respeite o sistema e as pessoas que até hoje ajudaram a construí-lo. Mas se algo não vai bem, contrata-se os chamados "resolvedores", que chegam cheios de si, desrespeitando a tudo e a todos. Quando falta respeito ao sistema, é natural novamente a dinâmica do: ah, você veio para resolver, então resolva sozinho!

Esse capítulo do futebol brasileiro (e tantos outros iguais virão), serve para elucidar como o sutil e o não visto determinam os resultados de uma organização. Não tenho dúvidas que se trata de um técnico altamente respeitado, que no elenco existem jogadores muito bons tecnicamente (sabem jogar futebol) mas a técnica determina 20-30% dos resultados, o restante está baseado em fatores relacionados a qualidade das relações.

Se, ao ler este post, você viu semelhanças entre estes relatos e a realidade de sua empresa ou organização, não terá sido mera coincidência e nestes casos, a aplicação dos conceitos do pensamento sistêmico organizacional podem ajudar!

Flávio Feltrin é sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico. Utiliza o pensamento sistêmico para ajudar profissionais e organizações a obterem melhores resultados.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A culpa é dos robôs


Por Flávio Feltrin

Após fazer meu último post no blog fui surpreendido com uma mensagem em minha caixa de entrada. A mensagem informava que meu blog havia sido considerado como blog de spam e portanto havia sido excluído!

Estupefato com a notícia, pois tenho como hábito informar sobre novos posts aos leitores, segui as instruções que me foram dadas para recuperar o blog, caso a exclusão tivesse sido um engano dos robôs!

Engano dos robôs? Fiquei realmente curioso com esta informação e comecei a pesquisar esta situação e descobri uma lista de discussão onde colaboradores da empresa que disponibiliza o blog prestam suporte aos desesperados que tiveram seus blogs excluídos pelos robôs! Apesar de ser um canal virtual, experimentei um sentimento bem humano quando recebi uma resposta de outro ser humano! E a resposta também foi bastante humana: "vc seguiu as instruções do blog para recuperá-lo?"

Foram três dias de blog fora do ar, alguns leitores me informando por e-mail do problema mas tudo foi resolvido, apesar dos robôs. O mais curioso e o motivo pelo qual eu escrevo esta experiência ímpar foi a mensagem que recebi quando o blog foi recuperado a qual reproduzo na íntegra:

"Os robôs de prevenção contra spam do Bloger detectaram que seu blog possui características de um blog de spams. Uma vez que você está lendo esta seção, seu blog provavelmente não é um blog de spams. A detecção automática de spams é inerentemente confusa. Pedimos desculpas por este falso sinal positivo.

Recebemos sua solicitação de desbloqueio em 3 de setembro de 2010. Em nome dos robôs, desculpamo-nos por bloquear seu blog, que não é de spams. Aguarde enquanto analisamos seu blog e verificamos se ele não é um blog de spams."

Sinceramente ainda estou em dúvida se esta mensagem foi escrita por um humano ou por um robô, mas parece ter sido escrita por um humano uma vez que, em nome dos robôs, pede-se desculpas! Desculpas em nome dos robôs???

Como analista de sistemas de formação, executivo de Centro de Serviços Compartilhados e de tecnologia da informação compreendo perfeitamente a intenção de se automatizar processos, ganhar produtividade e todas as possíveis justificativas mas tenho certa dificuldade em entender a razão de se desculpar em nome de um robô!

Pode até parecer um tanto moderno, futurista e até tentar passar uma imagem de empresa de alta tecnologia, que se utiliza de robôs para seus processos mas, ao analisar mais detidamente esta situação, percebemos que a atitude embutida na mensagem é muita humana. Diante de um problema ou de um resultado diferente do esperado, justifica-se e tira-se o foco da situação buscando nos outros a explicação, neste caso, nos robôs!

Uma atitude focada em resultados mantêm no seu eixo todo o discurso. Se você não entregou o resultado esperado, assuma sua responsabilidade. Se você não gosta do que faz, assuma sua escolha em continuar fazendo. Se você se julga infeliz, busque dentro de você a felicidade e não a coloque nas mãos dos outros. Se você quer fazer algo diferente mas tem medo, assuma que o medo é seu e se pacifique com ele. Se você gostaria que algo estivesse diferente em sua vida, assuma o compromisso de mudar o que for preciso! Mantenha-se no seu eixo!

Justificativas, prisão ao passado ou ao futuro, falas inúteis, auto-engano, comunicação tática, medo da reação dos outros, postura de "coitado", cultura do não, se ou quando, são todas atitudes desfocadas que não o levarão ao próximo passo de sua vida, são atitudes que muda seu eixo para o eixo dos outros quando só você tem o poder de mover-se em direção aos seus sonhos, suas conquistas e seus resultados! Centre-se no seu eixo!

Mas ainda falando dos robôs, quando seres humanos usam desta artimanha de sair do seu eixo e responsabilizar outras pessoas ou situações, temos a oportunidade de promover um diálogo, entender a situação e buscar uma solução, no entanto, se a moda pega e os seres humanos começarem a responsabilizar os robôs, que saída teremos?

Flávio Feltrin é sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico, consultor, master coach e constelador organizacional.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Comunicação - Eu vejo você!




Por Flávio Feltrin

Comunicação parece ser o grande desafio da maioria das empresas! É bastante comum, durante uma conversa com clientes ou profissionais que procuram por coaching, a afirmativa de que o grande problema da empresa é a comunicação (ou falta de, ou ineficiência de)! Mas será que este desafio se restringe ao âmbito profissional?

Na vida cotidiana, em casa ou com os amigos, a comunicação é mais eficaz? Quanto tempo se dedica para comunicar com os filhos ou com o companheiro (a)? Em qual nível esta comunicação acontece?

Talvez a superficialidade profissional passe a impressão de que no ambiente de trabalho a qualidade da comunicação é pior. Os diálogos quase sempre são táticos (escolho o que posso falar), os olhos não se encontram (e em muitas situações o olhar de um interlocutor está nos emails do telefone celular e o olhar do outro está nos emails do vídeo do computador), frases são ditas e instruções são passadas mas a comunicação não acontece.

Em outras situações, palavras são jogadas ao ar mas o foco de atenção está na cabeça, que não pára de processar o passado (situações que aconteceram) ou no futuro (coisas que tenho para fazer), o momento presente, onde dois ou mais indivíduos estão trocando informações, impressões ou até mesmo um feed back, simplesmente não acontece.

Ainda podemos dizer que o problema da empresa é a comunicação? Sim podemos, porque uma empresa é feita de gente que se comunica e se relaciona o tempo todo, entretanto, a responsabilidade pela comunicação eficaz é de cada indivíduo. A qualidade desta relação e portanto desta comunicação é determinante para que os resultados sejam melhores ou piores.

A comunicação não acontece apenas verbalmente. Nossos olhos falam, nosso corpo fala e até nossos pensamentos podem ser "ouvidos" pelos outros em níveis não conscientes. Para uma comunicação eficaz é preciso mais do que palavras, é preciso congruência entre a intenção e a verbalização, é preciso olhar nos olhos, estabelecer uma sintonia, fazer uma conexão, é preciso enxergar o outro e estar 100% focado naquele momento!

Eu vejo você!
Experimente e sinta a diferença!

Flávio Feltrin é master coach, constelador organizacional e sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Nos caminhos da vida





Por Flávio Feltrin

Há duas semanas realizei mais uma caminhada de longa distância também conhecida como peregrinação. Foram 85 kms, de Uberlândia à Romaria, que percorremos em 29 horas incluindo pausas para alimentação, descanso e pouquíssimas horas de sono!
Mais do que uma aventura, um desafio ou um método eficaz para testar seus limites, as peregrinações ensinam muito sobre a vida e sobre nós mesmos.
Caminhar solitário por longas distâncias, passar horas consigo mesmo e vencer cada desafio que se apresenta ao longo o caminho é, no mínimo, um extrato da nossa jornada pela vida!
Mesmo estando em grupo o caminho de cada um de nós é solitário. Nos momentos de dor e cansaço podemos receber ajuda de outras pessoas, apoio ou incentivo, mas a sua caminhada é construída com os seus passos e ninguém pode fazê-la por você!
Esta lição também ensina que como seres humanos temos limites até no ato de ajudar os semelhantes, podemos fazer o que podemos fazer, porém as escolhas de parar ou prosseguir, vencer a dor ou se entregar à ela, persistir ou desistir é sempre de cada um, aprendemos a respeitar os limites de cada indivíduo e suas decisões.
Quando fiz minha primeira caminhada desta natureza encontrei uma pessoa que me ensinou a caminhar com a mente e não com as pernas. Quando caminhamos com as pernas somos pesados, o cansaço nos abate, as dores nos dominam. Mas quando caminhamos com a mente, somos leve, nosso corpo nos serve, nossa velocidade aumenta. Na vida, caminhar com a mente significa definir suas metas, seus objetivos, transcender a realidade e os obstáculos, ir além! Quando caminhamos com a mente também aprendemos a ser leves para nós mesmos e para aqueles que nos cercam. Freqüentemente carregamos mais peso do que precisamos, por vezes nossos e muitas vezes o peso dos outros! Descarregue-se, seja leve, respeite o peso de cada um e se puder ajudar, não carregue o peso de ninguém, mas ensine as pessoas a serem mais leves, a caminhar com a mente, não esquecendo que a decisão será sempre delas, respeite isso também!
Foram 85 kms, um grande desafio, vencido a cada passo! E cada passo da vida é o mais importante uma vez que, sem cada um deles, nunca chegaremos ao nosso destino. Foco e determinação no próximo passo, os demais virão depois! Visualizar o futuro e onde queremos chegar nos ajuda, sem nenhuma dúvida a chegar lá, porém a prisão ao futuro nos paralisa e nos impede de dar o próximo passo em direção a ele, ficamos estagnados esperando que o futuro chegue e nos traga o troféu! Caminhe lentamente e não pare. Cada passo em direção ao futuro faz dele mais próximo, mais palpável, mais real. Você se desloca no tempo e não o contrário!
A dor, o cansaço, as bolhas, as dificuldades, tudo faz parte de suas escolhas! A cada passo decidimos nosso destino, quer acreditemos nisso ou não. Vencer todas as barreiras que a vida nos apresenta é o nosso movimento natural, pois somos sem exceção, dotados desta capacidade. Acredite nisso, acredite em você. Vá além e quem sabe ao longo do caminho você se depare com uma paisagem como a figura que ilustra este texto. Foi uma foto tirada no meio de um pasto seco e sem vida para um olhar distraído. Porém o pasto seco e sem vida era parte deste cenário que esteve lá por um instante e depois se foi! A vida está aí, por um instante, não espere para retomar a sua caminhada, pois o caminho se faz ao caminhar!

Flávio Feltrin é consultor e coach, sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Transcender




Por Flávio Feltrin

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.” Fernando Pessoa

Nossa vida é regida por ciclos. Vivemos vários ciclos simultaneamente na nossa vida pessoal e profissional, seguindo o movimento natural da vida, onde tudo começa, atinge sua plenitude e depois se transforma, termina.

Reformular é preciso, se não o fizermos, alguém o fará para nós! Quando chegamos ao final de um ciclo e não percebemos esta situação entramos numa fase de impasse, sentimos que algo não vai bem, algo precisa ser mudado mas nem sempre sabemos exatamente o que ou como mudar!

O ser humano aprende a reagir ao meio de determinado modo e tende a repetir este padrão constantemente. Porém o mundo processual é dinâmico, os contextos são diferentes, a mudança é constante ao nosso redor mas, normalmente a nossa visão de mundo que é a maneira como encaramos a realidade nos prende, nos impede de ir além, transcender.

Um pajé, quando questionado sobre qual era seu trabalho na tribo respondeu: Meu trabalho é entrar no sonho dos índios da tribo e abrir as portas que eles mesmos trancaram!

As pessoas, as empresas, as famílias, muitas vezes não encontram uma saída para uma determinada situação porque trancaram todas as portas e só aprenderam a sair por elas.

É importante notar que a capacidade que temos de trancar nossas portas é a mesma capacidade que temos de abrí-las. Mas temos uma capacidade ainda maior, de criar portas novas, seguir caminhos diferentes e isso é transcender!

Flávio Feltrin é coach e constelador organizacional. Trabalha com desenvolvimento organizacional sistêmico, ajudando as empresas, equipes e profissionais a abrirem as portas fechadas e a criarem novas portas, novos caminhos, que levem ao desenvolvimento pessoal, profissional e empresarial!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Tudo depende de onde você está e para onde você está indo!



Por Flávio Feltrin

Trocando muitos miúdos em mais miúdos podemos dizer que somos "algo" (dê o significado mais apropriado para você) em deslocamento no tempo e no espaço! Então, quase tudo depende de onde você está (lugar) e para onde você está indo (direção). A noção de lugar e direção é também completamente relativa, depende mais do observador do que da posição e direção propriamente ditas! Confuso?
Assim funciona nossa mente. Construímos uma realidade com base no estímulo que estamos recebendo e da interpretação que damos para este estímulo. A interpretação é resultado de todas as experiências acumuladas dentro de você até agora, enquanto você lê este texto. Daqui alguns minutos, tudo isso em você já será diferente! Será diferente porque você, daqui alguns minutos, será você modificado pelo tempo (que não será o mesmo de agora) e pelo lugar que você estará (nem sempre o lugar físico mas sim onde sua mente andará), recebendo possivelmente um estímulo diferente! Ainda confuso?
Vivemos cada instante de nossas vidas no momento atual. O passado já ocorreu, o futuro ainda está por vir e simplesmente não sabemos como ele será! Portanto você está integrado com esse momento, você faz parte dele. O que você experimenta agora ficará registrado em seu corpo e em sua mente, viva o agora intensamente e faça dessa experiência algo importante, inclusivo e positivo.
Vivemos num mundo probabilístico, envolvidos numa seqüência de acontecimentos sobre os quais temos pouco controle. Na verdade, não temos noção daquilo que irá nos acontecer daqui alguns minutos! Existe uma teia de acontecimentos ao nosso redor que nos levarão a uma situação qualquer e não sabemos qual será, sequer podemos controlá-la!
Você pode estar pensando então que é melhor deixar a vida levar, relaxar! Como sugere aquele cantor de pagode!
Não é bem assim, aliás, é bem diferente disso! Não temos controle sobre os acontecimentos futuros mas podemos influenciá-los. Você é parte de um todo muito maior e não pode mudar isso, mas você pode ajudar o todo a ser melhor, promover acontecimentos melhores, que certamente o envolverá no futuro pois você é parte dele!
Use seu potencial mental para posicionar-se melhor (lugar) e para influenciar a sua direção. A grande maioria das pessoas não faz isso, vive alheia a teia da vida, buscando algo que não sabe o que é, querendo alguma coisa que não tem certeza, maldizendo os outros e as coisas ao redor por não ter conseguido isso ou aquilo mas não se dão conta de sua própria responsabilidade nos acontecimentos, muitos querem ser líderes e não conseguem direcionar a si mesmos.
Entender que você pode caminhar na direção dos seus objetivos, com a mente e o coração aberto para lidar com toda a probabilidade que a vida lhe oferecerá é um ótimo começo! Dê seu primeiro passo e siga sua rota, mas lembre-se de respeitar as rotas (os destinos) dos demais que vivem a sua volta.

Flávio Feltrin
essentya desenvolvimento sistêmico
formação - desenvolvimento organizacional sistêmico – coaching

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pertença - O sentimento de fazer parte!

Nesta semana circulou em um grande jornal brasileiro uma coluna escrita pela Rosely Sayão, psicóloga e autora, sobre o sentimento de fazer parte!

Na coluna, a autora menciona como a copa do mundo mobiliza uma nação, especialmente as crianças que são contaminadas pelo entusiasmo geral dos adultos, a começar pelos pais, professores, família, etc. Particularmente em casa não estávamos tão entusiasmados como menciona a autora, mas minhas filhas sim e até convenceram a mãe a comprar bandeiras, camisetas e toda a parafernália que um bom torcedor precisa ter, até uma vuvuzela apareceu!

A autora prossegue questionando por que será que isso acontece com as crianças nesse momento? Ninguém precisou falar mais de mil vezes para elas que tal acontecimento esportivo era importante e que, por isso, deveriam se interessar. Também não foi preciso sentar com elas durante horas para que encontrassem as notícias que queriam. Por que será, se elas não nascem com interesse por futebol?

Segue a autora informando que a mobilização das crianças para entrar nesse clima é o sentimento de pertença. Fazer parte de um grupo, dar a ele a sua contribuição possível, encontrar o seu lugar!

Inspirado pela autora, decidi escrever sobre o sentimento de pertencer, que é natural no ser humano e que cria o vínculo do indivíduo com um determinado grupo. A pertença ou o Vínculo é um dos princípios do pensamento sistêmico - todos têm o mesmo direito de pertencer!

Mas será que este direito de pertencer é preservado nas organizações? É muito importante que seja, pois o vínculo não ocorre somente entre colaborador e empresa mas também entre o colaborador e todos os outros elementos do sistema, ou da organização.

Assim sendo, o momento da demissão, que muitas vezes é inevitável e até certo ponto natural pois todos os sistemas que conhecemos se renovam, deveria ser de muito respeito, não somente profissional mas também pessoal.

Quando os desligamentos são realizados de forma desrespeitosa e sem o sentimento de gratidão entre as partes muitos sentimentos negativos são gerados, o vínculo continuará existindo porém movido pelo sentimento de exclusão e não pertença, o que certamente poderá deixar "sintomas" naquele sistema.

Os sintomas podem se manifestar pela saída espontânea de outros profissionais (dinâmica de seguir quem saiu), novos colaboradores contratados podem não desempenhar bem seu papel pois se sentem como aquele que saiu (mesmo não o conhecendo) e não criam um vínculo positivo com o sistema, normalmente também se desligam depois de algum tempo gerando uma repetição de padrão e alta rotatividade. Pode também haver "desmotivação" daqueles que ficaram pois não percebem no sistema o respeito pelo direito de pertencer e portanto são tomados pela insegurança, medo e ansiedade!

Fortaleça e respeite o direito de pertencer nas organizações que você atua! O respeito a este principio proporciona além de mais equilíbrio também um clima organizacional melhor, o instinto do vínculo, se fortalecido, proporciona maior comprometimento, mais orgulho de pertencer e portanto melhores resultados, para todos!

Flávio Feltrin
Sócio-Diretor da essentya desenvolvimento sistêmico
Formação, coaching e desenvolvimento sistêmico organizacional