terça-feira, 11 de maio de 2010

A alma do negócio



Constelação Organizacional, Teoria U, Coaching empresarial! O que todas estas teorias e técnicas têm em comum? Estamos observando a formação de um novo conceito sobre gestão empresarial, um novo olhar sobre jargões tão batidos como desempenho, resultados, trabalho em equipe e tantos outros. Ainda incipientes para a grande maioria das organizações mas já formando massa crítica importante em empresas como HP, Shell, Daimler. Então você pode estar pensando... "é mais uma onda e vai passar", e decide ficar "quietinho" esperando a onda passar... Enquanto os líderes decidem resolver suas questões mais profundas usando estas técnicas e se tornarão mais líderes!
Mas o que diferencia esta onda das demais? A resposta é relativamente simples! As empresas começam a perceberem-se como organismos vivos, sistêmicos e feitos essencialmente de gente! Não estou falando da visão superficial sobre gestão de pessoas cujo único objetivo é manter o trabalhador no emprego, reduzir o turn over e gerar "resultados" para a empresa. É bem mais profundo que isso! Trata-se da essência humana agrupada em um espaço-tempo chamado empresa! Não é onda, é mudança de patamar, é o próximo degrau!
Segundo Jan Jacob Stam, Diretor do Instituto Hellinger da Holanda, abordagens como a Teoria U de Otto Scharmer é um caminho para a mudança organizacional através de uma liderança dentro da visão sistêmica. Como explicar a Teoria U em poucas palavras? É uma nova lente para olhar a liderança e a gestão, e também um tipo de metodologia. Como lente, observa a liderança e as habilidades sociais de um ponto de vista profundo, que não só leva em conta o que fazem os líderes e como o fazem, mas que enfoca algo que não tinha sido contemplado pelos teóricos: o lugar de onde atuam. Este lugar é sistêmico e pertence a algo maior (o sistema). Para facilitar o entendimento, não pense que ser o Diretor X lhe conferirá poder suficiente para fazer tudo que pensa ser certo! O sistema precisa lhe permitir, e dentro das leis que regem um sistema, o benefício precisa ser do todo e não somente seu!
Para se fazer algo bem sucedido em um sistema é preciso ter qualidade da atenção. Segundo o ex-presidente-executivo da Hanover Insurance,Philip Ryan, ao falar das experiências mais importantes de seus 25 anos de liderança, ele menciona que o sucesso dependia de seu estado interior, da qualidade da atenção que devotava a cada situação.
A qualidade da atenção também pode ser chamada de intenção, de foco. Observe qual é o impacto da qualidade da atenção que colocamos em nosso trabalho e em nossa vida e veja os resultados. Para resumir em uma frase: a atenção que se presta a uma situação determina a forma como ela evoluirá, ou seja, a intenção verdadeira de se resolver uma situação determinará se terá sucesso ou não, neste contexto, o sutil governa o grosseiro!
Todas as empresas precisam disso? Qual seria uma qualidade de atenção desejável?
Depende da situação. Se o ambiente é normal e nada de especial acontece, e você está feliz com os resultados individuais e da organização, não tem sentido modificar alguma coisa. Mas, se estão acontecendo muitas mudanças e os resultados individuais seus e coletivos não correspondem ao que as pessoas se sentem inspiradas a criar, então é preciso ampliar ou aprofundar sua atenção. Quanto maior a mudança interior e exterior, mais você se verá obrigado a reduzir a velocidade e abrir não só sua mente, mas também seu coração.
Como se alcançam esses níveis de atenção mais profundos? Existe algum método?
Assim que se enfrenta uma grave crise pessoal ou uma experiência próxima da morte, a pessoa para e começa a prestar atenção ao que é realmente importante. Uma crise nos obriga a fazê-lo. Mas também há formas proativas de cultivar, individual e coletivamente, espaços de quietude e silêncio onde parar e conectar-se com o que acontece, e refletir sobre isso em sua totalidade. É disso que trata a boa gestão e a boa liderança: de prestar atenção, de conectar-se com maneiras mais profundas de se relacionar com uma situação, sem que uma força exterior se imponha. Ao submergir para esses níveis mais profundos, surgem inovações originais. Toda experiência em uma equipe de alto desempenho está vinculada, coletivamente, aos níveis de atenção e escuta mais profundos. O resultado de uma organização é fruto de todo o sistema e não apenas de um departamento ou outro. Assim como "departamentos problema" reagem ao todo que é o sistema, ou seja, não é possível obter resultados sem olhar, de forma profunda, a organização como um todo!

Flávio Feltrin
Consultor e Master Coach Life & Executive
essentya.consultoria@gmail.com

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