
Por Flávio Feltrin
As eleições terminaram e o País escolheu o seu destino! Por opção minha decidi esperar este momento para compartilhar no blog minhas impressões e reflexões sobre a campanha eleitoral e peço aos leitores que, ao lerem, também façam um paralelo de tudo que está escrito aqui com a sua empresa, sua cidade, seu departamento e porque não, sua vida!
Eu votaria no candidato que viesse a público e afirmasse que não tem um plano de governo! Porém, que se comprometesse a desenvolver um projeto, um plano diretor, uma visão estratégica para o Brasil. Um candidato que falasse de um projeto de 25 anos, que pensasse no país que queremos ter em 4, 8, 12, 16, 20 e 25 anos, independente do governante.
Votaria em um candidato que, para construir o plano para o Brasil, integrasse os mais diversos seguimentos da sociedade, que pensasse de forma abrangente e sustentável. Um candidato que tivesse clareza dos eixos estratégicos importantes para a nação e desenvolvesse estratégias e projetos que pudessem efetivamente construir um país melhor, mais livre, mais desenvolvido, mais justo e que pudesse produzir cidadãos cada vez melhores, afinal, somente assim pode-se construir um futuro melhor: condições sociais favoráveis e gente orgulhosa do país onde mora, motivada a produzir cada vez mais e a receber a merecida contrapartida para que tenha uma vida digna e possa desenvolver-se como ser humano.
Imagine se a população brasileira abraçasse este plano como abraçamos a seleção brasileira em época de copa do mundo. Como abraçamos as causas sociais quando as desgraças e acidentes acontecem em algum canto do país ou até em outros países. Imagine se esse plano mobilizasse a nação como nos mobilizamos em grandes campanhas sociais. Gigante pela própria natureza sim, mas um gigante sem rumo, sem direção!
É lamentável assistir uma campanha onde bolinhas de papel ou sacos de água têm maior importância do que temas tão importantes, revela apenas o vazio das propostas, a falta de plano. Já que abstrair o conceito de País e pensar em desenvolvimento e equilíbrio planetário sustentável é ainda utopia, achei que ao menos poderíamos pensar como nação, envolvidos por um grande líder e imersos em uma sociedade madura, livre e que coloca os interesses do País a frente dos interesses partidários e porque não dizer pessoais.
De ilusão e desilusão, vamos cambaleando como um gigante bêbado, sem rumo nem prumo. Nunca na história deste país, parodiando o presidente, pensou-se em obras de infra estrutura integradas, o famigerado PAC. Tamanha minha surpresa quando o próprio partido do presidente acusa o adversário de fazer promessas que já constam do PAC! No meu sonho de um país melhor eu ficaria orgulhoso de ver meu adversário falando que vai executar os projetos que eu idealizei, mas não, acusa-se o outro de não fazer nada mais do que já está sendo proposto, e eu que achei que isso era bom!
É realmente difícil entender esta lógica, a lógica dos projetos bons desde que eu e a minha turma os execute, a lógica de continuar sem promover mudanças estruturais importantes mas criticar quem se propõe a continuar. Para entender esta lógica talvez seja necessário reduzir-se muito, ver o país apenas pelos olhos de uma pessoa ou de um partido, enxergar a política como escambo onde a troca de favores é o jeito certo. Prefiro continuar sem entender esta lógica, prefiro olhar o país pelos olhos de uma nação, reconhecer nas idéias diferentes as idéias de brasileiros e irmãos de pátria e entender a política como o antídoto capaz de levantar este gigante e dar-lhe rumo, força e confiança! Será possível?
Flávio Feltrin é sócio-diretor da essentya desenvolvimento sistêmico, coach, consultor e facilitador de constelações organizacionais.