Nesta semana circulou em um grande jornal brasileiro uma coluna escrita pela Rosely Sayão, psicóloga e autora, sobre o sentimento de fazer parte!
Na coluna, a autora menciona como a copa do mundo mobiliza uma nação, especialmente as crianças que são contaminadas pelo entusiasmo geral dos adultos, a começar pelos pais, professores, família, etc. Particularmente em casa não estávamos tão entusiasmados como menciona a autora, mas minhas filhas sim e até convenceram a mãe a comprar bandeiras, camisetas e toda a parafernália que um bom torcedor precisa ter, até uma vuvuzela apareceu!
A autora prossegue questionando por que será que isso acontece com as crianças nesse momento? Ninguém precisou falar mais de mil vezes para elas que tal acontecimento esportivo era importante e que, por isso, deveriam se interessar. Também não foi preciso sentar com elas durante horas para que encontrassem as notícias que queriam. Por que será, se elas não nascem com interesse por futebol?
Segue a autora informando que a mobilização das crianças para entrar nesse clima é o sentimento de pertença. Fazer parte de um grupo, dar a ele a sua contribuição possível, encontrar o seu lugar!
Inspirado pela autora, decidi escrever sobre o sentimento de pertencer, que é natural no ser humano e que cria o vínculo do indivíduo com um determinado grupo. A pertença ou o Vínculo é um dos princípios do pensamento sistêmico - todos têm o mesmo direito de pertencer!
Mas será que este direito de pertencer é preservado nas organizações? É muito importante que seja, pois o vínculo não ocorre somente entre colaborador e empresa mas também entre o colaborador e todos os outros elementos do sistema, ou da organização.
Assim sendo, o momento da demissão, que muitas vezes é inevitável e até certo ponto natural pois todos os sistemas que conhecemos se renovam, deveria ser de muito respeito, não somente profissional mas também pessoal.
Quando os desligamentos são realizados de forma desrespeitosa e sem o sentimento de gratidão entre as partes muitos sentimentos negativos são gerados, o vínculo continuará existindo porém movido pelo sentimento de exclusão e não pertença, o que certamente poderá deixar "sintomas" naquele sistema.
Os sintomas podem se manifestar pela saída espontânea de outros profissionais (dinâmica de seguir quem saiu), novos colaboradores contratados podem não desempenhar bem seu papel pois se sentem como aquele que saiu (mesmo não o conhecendo) e não criam um vínculo positivo com o sistema, normalmente também se desligam depois de algum tempo gerando uma repetição de padrão e alta rotatividade. Pode também haver "desmotivação" daqueles que ficaram pois não percebem no sistema o respeito pelo direito de pertencer e portanto são tomados pela insegurança, medo e ansiedade!
Fortaleça e respeite o direito de pertencer nas organizações que você atua! O respeito a este principio proporciona além de mais equilíbrio também um clima organizacional melhor, o instinto do vínculo, se fortalecido, proporciona maior comprometimento, mais orgulho de pertencer e portanto melhores resultados, para todos!
Flávio Feltrin
Sócio-Diretor da essentya desenvolvimento sistêmico
Formação, coaching e desenvolvimento sistêmico organizacional
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